A mídia mostrou o cinismo dos "pastores" da Igreja Universal e nos faz crer que desconsideram o que "'ensinam". Não parecem preocupados com uma nova visão do mundo e da vida, aprofundando a sensibifidade interior e a pesquisa além da morte e da vida. Os crentes parecem envolvidos num sentimento que envaidece e aprisiona seus "egos" na medida em que passam a acreditar um pouco no apregoado e os "pastores" parecem usar a fé religiosa, por eles interpretada convenientemente, como instrumentos em que a felicidade além e uma auto-imagem positiva associados à doação cotidiana e a ameaça do infemo, como punição, fazem parte duma manipulação emocional, conhecida na ciência como condicionamento de comportamento. Esta técnica foi mostrada no filme "Laranja mecânica". -Isto confirmado caracteriza estelionato.
Mas, -só os pastores" da "Universal " seriam praticantes deste crime? Milhões de brasileiros são "educados" para esperar da riqueza fácil, do destino mágico, de passatempos reforçando jogar por jogar etc. Há séculos os cézares engabelavam menos maquiavelicamente os romanos com "pão e circo". Por trás de muitas delas há o lucro certo do patrocinador, privado ou público, e as chances sempre menores e até ridículas dos participantes, sem criar nada, só tirando dos apostadores levados ao vício. A falta de escrúpulo daqueles que querem se enriquecer sem ver os meios é bem retratada por uma filosofia rasteira das mais populares: "levar vantagem em tudo", promovendo formação inviável na sociedade. Dai a violência sem limite em alta.
A Procuradoria de Justiça, agora sensibilizada pelas evidências de estelionato, deve continuar a iniciativa para enquadrar todas as atividades, particulares ou públicas, das pessoas jurídicas e fisicas, da mídia, de clubes esportivos etc, que assim tiram proveito com toda sorte de venda de carnes, cartelas, bilhetes etc em valores até maiores e mais envolventes. As provas são corriqueiras. E ainda querem liberar os jogos e cassinos, sempre associados ao tráfego de drogas como vemos no caso dos bicheiros e dos "bingos".
Por outro lado, o cidadão deveria ser formado na escola e sobretudo na vida social, para ser saudável, para conseguir conquistar pelos próprios médios e habilidade uma capacidade de trabalho manual ou intelectual auto-sustentável nesta perspectiva de economia global e satisfatória na sua filosofia, capaz de se bastar nas condições do país.
A educação não poderia se limitar ao 1o. grau. Urge valorizar o progresso, geralmente ligado à tecnologia de ponta e à ciência, mas também à capacidade de expressão e de compreensão dos fenômenos mentais e psicológicos e à sensibilidade na percepção, para formar uma filosofia de vida pessoal, motivadora de esforços, que abram as portas do fiJturo consoante à caminhada de civilização humana e previne serem meros joguetes de manipuladores. Mais importante ainda é a maior integração do indivíduo dentro de um contexto de percepção do universo, do mundo e da vida, que lhe dê alento nas dificuldades e sentido à vida, só atingidas através de uma educação continuada, ultrapassando níveis superiores, e desenvolvida na vivência criativa; apoiada por uma cultura comunitária aberta e prospectiva.
A responsabilidade de educação do Estado não pode se limitar à escola, porque as relações sociais e os meios de comunicação acabarão por sobrepujá-la ao longo da viida e determinarão o comportamento final. Urge regulamentar e fiscalizar certas atividades de pessoas fisicas e jurídicas e da mídia em particular, neste momento crucial de privatização da sociedade brasileira, para que o Estado aja no interesse público, até preventivamente, preparando a população para melhor futuro ou compromisso diante das limitações do país. A Reforma do Estado não pode considerar só o econômico, mas almejar eticamente a meta mais elevada: felicidade sem engodo e sobrevivência digna para o cidadão brasileiro.
O novo "Estado" deveria ser forte para resistir e reprimir estas atividades desagregadoras emergentes do sistema neoliberal, que se chega mais rápido do que nos preparamos para ele; lúcido o suficiente para exigir da mídia programas mais educativos, formador de cultura progressista e aberta; maduro o suficiente para representar e defender a aspiração de bem-estar do cidadão.