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A 'menina dos olhos' da biologia atual
Livro aborda conceitos, aplicações e aspectos éticos da biotecnologia
 

Ao conseguir, em 1973, transferir trechos de um gene de um organismo para outro, os bioquímicos americanos Stanley Cohen e Herbert Boyer inauguravam a era da biotecnologia. Esse campo nascia trazendo a promessa de produção de alimentos mais saudáveis, maior proteção ao meio ambiente e à saúde humana. A biotecnologia evoluiu muito desde então, e as antigas promessas deram lugar à polêmica em torno de questões de grande destaque na mídia e sociedade atuais, como clonagem, alimentos geneticamente modificados e biossegurança.

Muitos livros publicados recentemente tiveram como objetivo aproximar o público leigo dessa que parece ser "a menina dos olhos" da comunidade científica atual. Um deles é o recém-lançado Biotecnologia simplificada -- escrito pelo engenheiro agrônomo Aluízio Borém, da Universidade Federal de Viçosa, e pelo biólogo Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais --, que aborda os principais conceitos e aplicações da biotecnologia.

Segundo os autores, biotecnologia é o conjunto de técnicas que permite "desenvolver produtos e serviços por meio de processos biológicos, utilizando-se a tecnologia do DNA recombinante e a cultura de tecidos, dentre outras". É ela que está por trás, por exemplo, dos animais geneticamente modificados criados e estudados com fins farmacológicos ou do grande número de produtos transgênicos à disposição no mercado atualmente. Variedades de plantas modificadas com maior qualidade nutricional ou tolerância a solos com baixa fertilidade, herbicidas e pragas podem contribuir para aumentar a oferta de alimentos na agricultura.


O porco da esquerda, transgênico, foi obtido a partir da inserção de um gene
fluorescente da água-viva que lhe conferiu focinho e patas amarelos

No entanto, a aplicação da biotecnologia mais discutida atualmente é a técnica de clonagem -- obtenção de um grupo de células ou tecidos ou até de um indivíduo completo a partir de uma única célula --, usada na agricultura para reprodução de plantas e, mais recentemente, com mamíferos. Outra aplicação citada, a terapia gênica -- introdução de genes que sintetizam proteínas capazes de curar ou prevenir doenças --, já está sendo estudada para distúrbios como Aids e alguns tipos de câncer.

Os autores dedicam um capítulo à discussão ética em torno de algumas aplicações polêmicas da biotecnologia -- como a possível obtenção de clones humanos, que divide a comunidade científica. A eugenia (que visa ao melhoramento genético da raça humana), os eventuais riscos para a saúde humana ao se ingerir alimentos transgênicos a longo prazo e a ética no estudo com animais também são citados na obra, ainda que com menos destaque.

Embora Biotecnologia simplificada apresente certo detalhamento técnico, o resultado não chega a comprometer a fluidez da leitura. A obra pode ser consultada por qualquer leigo que tenha interesse em saber mais sobre biotecnologia, mas se enquadra perfeitamente para estudantes de graduação de habilitações ligadas ao assunto. 

Biotecnologia simplificada
Aluízio Borém e Fabrício Rodrigues dos Santos
Viçosa, 2001, Editora Suprema / UFV
249 páginas

Sarita Coelho
Ciência Hoje on-line
18/01/02

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