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Almanaque da
selva
ACREDITE SE QUISER
Comparações, números
e curiosidades
sobre a região amazônica
A mariposa do tamanho
de duas canetas
Também vive na Amazônia a maior mariposa
do mundo, a imperador. Tem 30 centímetros de envergadura tamanho
igual ao de duas canetas esferográficas. |
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Ilustrações:
Angelo Bonito |
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O besouro maior do que uma mão
O maior besouro do mundo, o Titanus gigantus,
se alimenta de material orgânico em decomposição na
floresta. Com 20 centímetros de comprimento, é maior do que
a mão de um homem adulto. |
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| O pitu de quase meio metro
O maior camarão de água doce do
mundo vive na Amazônia. Também encontrado em alguns rios do
Nordeste, chega a medir 48 centímetros da cauda à ponta das
garras. Existem pelo menos trinta espécies de camarões e
outras trinta de caranguejos na Bacia Amazônica. |
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O maior predador
de peixes
Celebrizado num filme de Jacques Cousteau, o boto
cor-de-rosa é o maior predador das águas da Amazônia.
Come entre 4 e 5 quilos de peixe por dia. |
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Mais
peixes do que toda a Europa
Nos rios amazônicos vive o maior número
de espécies de peixes do mundo. Já foram descritas 1500,
mas estima-se que exista pelo menos o dobro. É quinze vezes mais
do que todas as espécies econtradas nos rios da Europa.
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O peixe-boi tem o peso de
sete mergulhadores
É um bicho com nome impróprio. Em
vez de peixe, é um mamífero. Maior animal da Amazônia,
pode atingir meia tonelada e 3 metros de comprimento (veja a comparação
de suas dimensões com as de um mergulhador). Pasta nas
campinas aquáticas. Um peixe-boi adulto pode devorar 50 quilos de
capim por dia. Está sendo dizimado pela caça. A carne é
muito saborosa e a banha dá um óleo excelente. |
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A preguiça com cérebro
do tamanho de uma azeitona
Espécie típica da Amazônia,
tem o cérebro do tamanho de uma azeitona. Proporcionalmente ao tamanho
do corpo, é um dos animais com o menor cérebro em todo o
mundo. Explicação dos zoólogos: como se alimenta só
de folhas, ela não precisaria de mais que isso para encontrar comida. |
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| O tambaqui faz jejum
Peixe de dieta bizarra, empanturra-se de frutos
e sementes nas áreas alagadas no período das cheias. Quando
as águas baixam e ele precisa voltar à calha dos rios, passa
por um violento jejum no qual descarrega toda a gordura que acumulou. Tem
carne saborosíssima. |
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| O tucunaré é a
delícia da Amazônia
É um dos peixes prediletos na culinária
amazônica. Atinge 60 centímetros de comprimento e chega a
pesar 4 quilos. Não tolera águas com temperatura inferior
a 16 graus Celsius. |
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Num único dia, o Amazonas despeja no Oceano Atlântico mais
água do que toda a vazão do Rio Tâmisa, em Londres,
durante um ano inteiro. Só a Bacia do Rio Negro, um dos afluentes
do Amazonas, tem mais água doce do que toda a Europa.
*
O volume de terra que o Rio Amazonas joga no mar é tão grande
que, graças a esses sedimentos, o litoral da Guiana Francesa e do
Amapá está crescendo. Esse crescimento, ainda não
medido, já aparece em imagens de satélites.
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A Ilha de Marajó é na verdade um arquipélago. O número
exato de ilhas ninguém conseguiu ainda contar, mas é de pelo
menos 2.000. Ocupam uma área de 50.000 quilômetros quadrados,
maior que a Suíça.
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Ao contrário do que se poderia imaginar, os rios mais feios da Amazônia,
os de água barrenta, são os mais generosos para a vida na
região. Carregam sedimentos que arrancaram da Cordilheira dos Andres
e de outras regiões por onde passam. Na enchente, depositam no solo
esses sedimentos, adubando quilômetros nas vizinhanças do
rio. Ali, as plantações nascem viçosas quando as águas
baixam. Esses rios também têm mais peixes.
*
Os rios escuros, como o Negro, são muito mais bonitos, mas a água
é ácida e pobre em nutrientes. Apenas 5% dos peixes vendidos
em Manaus vêm do Rio Negro, que banha a cidade.
*
Tubarões e outros peixes do mar entram com certa regularidade no
Amazonas. Eles não se reproduzem na água doce, mas conseguem
se dar relativamente bem. Tubarões já foram pescados até
em Iquitos, no Peru, uns 4000 quilômetros rio acima.
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Das 483 espécies de mamíferos existentes no Brasil, 324 vivem
na Amazônia (67%). Das 141 de morcegos, 125 voam por lá.
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Com 30 milhões de espécies, os insetos formam o maior grupo
de seres vivos na Terra, sem levar em conta bactérias e microrganismos.
Na Amazônia está um terço deles. |
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O macaco-da-noite que dorme
de dia
Uma das espécies exóticas da Amazônia,
é o único macaco noturno do planeta. Prefere dormir de dia,
como os morcegos, e tem olhos arregalados, como os da coruja, para enxergar
melhor à noite. |
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O macaco-barrigudo
usado como mascote
Das 75 espécies de primatas que vivem no
Brasil, 58 saltam pelos galhos da Floresta Amazônica. Um dos mais
conhecidos, o macaco-barrigudo, é usado como mascote por índios
e caboclos ribeirinhos. |
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O sagüi menor
do que uma escova de dentes
O menor macaco do mundo, o sagüi-leãozinho,
é do tamanho de uma escova de dentes e pesa 130 gramas. Encontrado
no Amazonas, é tão pequeno que alguns índios o deixam
no cabelo para que cate piolhos e outros bichinhos. |
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Em sentido
horário, a partir da primeira ave acima, à esq.:
Águia careca: 86
cm
Águia dourada: 84
cm
Águia bateleur: 14
cm
Harpia: 97 cm |
A maior de todas as águias
Maior águia do mundo, a harpia amazônica
tem 97 centímetros de altura, 11 a mais que a águia careca
americana e bem maior que as espécies encontradas na África
e na Europa. Alimenta-se de pequenos roedores e até de macacos.
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| A tartaruga maior do que um
triciclo
O maior quelônio de água doce é
a tartaruga-da-amazônia. Uma grande mede até 1,5 metro de
comprimento maior do que um
triciclo infantil. |
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As
brincadeiras da selva
Índios e caboclos gostam da tartaruga para
comer. As crianças, além de comer, gostam da tartaruga para
brincar. Abrem um orifício no centro do casco, ali amarram um barbante
e, pronto, a tartaruga pode ser puxada pelo quintal
como as crianças urbanas fazem com os carrinhos de brinquedo. |
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A flor de 2 metros
de diâmetro
Ao contrário do que muita gente imagina,
a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia,
não é uma folha, e sim a maior flor do mundo. Algumas chegam
a medir 2 metros de diâmetro. |
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| A folha maior do
que um jogador de basquete
Há três anos foi descoberta nos arredores
de Manaus a maior folha da Amazônia. Com 2,5 metros de comprimento
e 1 de largura, é maior do que um jogador de basquete. Cresce numa
árvore da família das poligonáceas, gênero coccoloba. |
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| O sapo gigante
O Brasil tem a maior variedade de sapos do mundo,
grande parte deles na Amazônia. O cururu mede 30 centímetros
(quatro vezes o tamanho de um canário) e pesa mais de 1 quilo. |
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Ilustrações:
Angelo Bonito |
A sucuri de 10
metros de comprimento
Celebrizada
no filme Anaconda, chega a medir 10 metros de comprimento, o dobro
do tamanho de um carro médio de passeio. A sucuri não é
a cobra mais comprida do mundo, pois perde para um píton africano,
mas é a mais pesada e volumosa.
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Quem não gosta de répteis precisa saber: há 300 espécies
desses animais na Amazônia, de cobras a lagartos.
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O nome Amazonas foi dado pelo frei espanhol Gaspar de Carvajal, o primeiro
cronista europeu a viajar pelo rio, durante a expedição de
Francisco de Orellana, na primeira metade do século XVI. O frei
afirmou que sua embarcação foi atacada por mulheres que,
como na mitologia grega das amazonas, pretendiam escravizar os homens para
procriar antes de matá-los.
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As mais antigas evidências arqueológicas da existência
humana na Amazônia são de, pelo menos, 12.000 anos atrás.
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Os índios brasileiros, que eram 6 milhões na época
do descobrimento, hoje são 300.000. Enquanto a população
total do Brasil cresceu 27 vezes, a dos índios diminuiu vinte. Quando
os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas
indígenas no país. Restaram 170.
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Dois em cada três índios brasileiros vivem nas reservas indígenas
da Amazônia. São 170.000 pessoas em um território equivalente
a quase três Alemanhas. Só os 8.200 ianomâmis ocupam
uma área de 94.000 quilômetros quadrados, maior que a área
de Portugal. Cada índio brasileiro hoje possui em média 3,6
quilômetros quadrados, mais de duas vezes o Parque do Ibirapuera,
em São Paulo. No total, é dos índios quase 12% do
território nacional.
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Há sinais de 53 grupos indígenas ainda isolados, sem contato
com a civilização tecnológica, todos na região
amazônica. Sujeitos a contatos casuais, os índios continuam
despreparados para enfrentar as doenças dos brancos e vivem no nomadismo.
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Krenakore, o nome dos índios gigantes da Amazônia, significa
"cabeça cortada redondo", uma referência ao seu corte de cabelo
em forma de meio coco. É uma designação de cunho pejorativo,
dada pelos rivais kayapós. Os krenakores preferem chamar-se de panarás,
a palavra para o pronome "nós".
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Durante o ciclo da borracha (1879-1912), a Amazônia foi responsável
por quase 40% das exportações brasileiras. Manaus era a capital
mundial da venda de diamantes, e o seu teatro, com 681 lugares, foi construído
na Europa e trazido de navio para ser montado no Brasil. Sob o calor de
40 graus, os ricaços usavam terno, gravata-borboleta e colete, imitando
os ingleses. As mulheres vestiam-se com modelos parisienses. |
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A aranha-caranguejeira
é maior do que o celular
A maior aranha do mundo pode medir 28 centímetros
com as patas abertas. É quase o dobro de um aparelho de telefone
celular. |
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Ilustrações:
Angelo Bonito |
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| Um rio de Nova York a Berlim
Da nascente, na Cordilheira dos Andes, à
foz, na Ilha de Marajó, o Rio Amazonas percore 6868 quilômetros,
quase a mesma distância entre Nova York e Berlim. Pelo estuário
do Amazonas passa um quinto de toda a água doce do planeta. |
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O Amazonas carrega
dez Pães de Açúcar de terra
O Amazonas carrega dos Andes para o Oceano Atlântico
800 milhões de toneladas de terra por ano. Se esses sedimentos caíssem
no mesmo lugar, formariam uma montanha dez vezes mais alta do que o Pão
de Açúcar. |
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| As cheias equivalentes a um
prédio
Em
alguns rios da Amazônia, a diferença do nível das águas
entre o período das secas e o das cheias é equivalente à
altura de um prédio de oito andares. Muitas casas, lojas, armazéns
e postos de gasolina são flutuantes, construídos sobre toras
de madeira e amarrados à margem. Nas cheias sobem junto com as águas.
Também há currais de bois e vacas e até hortas flutuantes.
Na época da cheia, quando a dona de casa precisa de um pouco de
coentro para temperar o peixe, vai até a porta de casa e puxa o
flutuante de hortaliças que fica boiando a alguns metros de distância.
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A devastação igual
a noventa Vaticanos
Ilustrações: Angelo
Bonito |
Em 1994, o último ano pesquisado
pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 15 000 quilômetros
quadrados de florestas foram derrubados na Amazônia. A cada dia foi
devastada uma área quase igual a 5000 campos de futebol ou noventa
vezes o tamanho do Estado do Vaticano. |
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| O peixe que viaja
o diâmetro da Lua
Um grande predador, o piramutaba sai da foz do
Amazonas e cruza o Brasil rio acima para desovar. Só no percurso
de ida, viaja de 3.000 a 3.500 quilômetros todos os anos
distância equivalente ao diâmetro da Lua. Tem uma espécie
de couro no lugar de escamas e é o peixe mais exportado da região
amazônica. O maior comprador é o Japão. |
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A Estátua da Liberdade
ficaria submersa no Amazonas
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O Rio Amazonas atinge profundidades
de 120 metros em vários trechos. Com 91,5 metros de altura, a famosa
Estátua da Liberdade, que adorna a entrada do Porto de Nova York,
ficaria inteiramente submersa se fosse colocada num desses lugares. |
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Graças à borracha, nos primeiros anos deste século
a Amazônia teve uma renda per capita duas vezes superior à
da região produtora de café
São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A riqueza acabou
quando ingleses levaram as mudas de seringais para a Malásia, até
hoje líder mundial na produção de borracha natural.
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Até 1839, a borracha era um artigo que agradava mais aos curiosos
do que aos empresários. Ela derretia no calor e tornava-se quebradiça
no frio. Naquele ano, um americano chamado Charles Goodyear (daí
a marca do pneu) descobriu o processo de vulcanização da
borracha. Isso a tornou estável, tanto no frio quanto no calor.
O comércio explodiu. Entre 1850 e o começo deste século,
as exportações do produto na Amazônia aumentaram trinta
vezes.
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Nos anos 30, o pioneiro da indústria americana de carros, Henry
Ford, resolveu plantar seringueiras na Amazônia. A plantação
fracassou porque foi atacada por uma praga da folha.
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A primeira megaobra na Amazônia foi a estrada de ferro Madeira Mamoré,
em Rondônia. Era parte do preço pago pelo Brasil à
Bolívia pela compra do então território do Acre. Serviria
para escoar produtos bolivianos, mas foi um fracasso. Durante a construção,
entre 1907 e 1912, mais de 6.000 operários morreram de malária
um morto por dormente da ferrovia, como se dizia na época. Hoje,
dos 366 quilômetros construídos, apenas 7 quilômetros
de trilhos continuam em operação.
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Ficou famosa nos anos 60 a proposta de um futurólogo americano,
Herman Kahn, do Instituto Hudson. Kahn sugeriu que se construíssem
sete barragens para criar cinco lagos gigantescos na Bacia Amazônica.
Queria estimular o intercâmbio econômico entre os países
da América do Sul e o investimento estrangeiro em pesca, mineração
e petróleo na região. Aos ouvidos do governo militar brasileiro
soou como uma proposta de internacionalização da Amazônia,
e as reações contrárias foram muito fortes. Alguns
dos projetos faraônicos inventados pelos militares para a região
tiveram essa causa. "Integrar para não entregar" era um dos slogans
oficiais da época.
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O governo militar tentou, via incentivos fiscais, transformar o sul do
Pará num pólo exportador de carne nos anos 70. Atraiu para
lá 300 grandes empresas e tudo acabou num grande fiasco. Nem o capim
nascia direito no solo pobre da região. Para fazer jus às
facilidades fiscais, as empresas eram obrigadas a desmatar o terreno. Até
hoje o desmatamento é prova de produtividade pelos critérios
do governo. Se uma propriedade tem muita árvore, ela é considerada
improdutiva.
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Nas décadas de 70 e 80, o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária imaginou que seria possível colocar 5 milhões
de colonos nordestinos na Amazônia. Conseguiu levar 5000 famílias
para lá, dando terreno para plantar e salário mínimo
durante os primeiros seis meses. Os colonos descobriram que a terra perdia
a fertilidade em dois ou três anos. Descobriram também que
lá havia muita doença e muito isolamento.
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A maior parte do solo é ruim na Amazônia, mas há manchas
de terra roxa muito férteis e também áreas limitadas
de areião imprestável. O dado decisivo é este: a maioria
dos solos não se presta à agricultura.
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Qual o valor da Amazônia? Até pouco tempo atrás, os
ecologistas nem queriam ouvir uma pergunta dessas. Hoje, muitos estão
tentando descobrir quanto a humanidade precisaria gastar para manter o
planeta sem a Amazônia. Dois estudos chamam a atenção.
O americano Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Inpa, estimou que seriam necessários 3 trilhões de dólares
por ano para controlar o efeito estufa, que se agravaria com o fim da floresta.
Uma outra conta, feita por pesquisadores da Universidade de Maryland, nos
Estados Unidos, concluiu que os benefícios criados pela floresta
corresponderiam a 1,1 trilhão de dólares por ano. É
mais do que o produto interno bruto do Brasil.
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Entre os escritores brasileiros, nenhum conseguiu refletir tão bem
o estranhamento de um visitante em relação à Amazônia
quanto Euclides da Cunha. Já conhecido por ter escrito Os Sertões,
Euclides navegou pelos rios Purus, Juruá e Acre em 1905. Escreveu
o seguinte: "O homem ali é ainda um intruso impertinente. Chegou
sem ser esperado nem querido, quando a natureza ainda estava arrumando
o seu mais vasto e luxuoso salão". |
| Copyright
© 1997, Abril S.A. |
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