Os avanços com a Biologia Molecular

& Fontes de Pesquisa

Até cerca de 1950, a biologia molecular viveu a sua fase inicial, onde hipóteses eram elaboradas e testadas sem base molecular. Após a descoberta da estrutura da molécula do DNA, experimentos com microrganismos demostraram o mecanismo de regulação da expressão genética. Com o avanço da ciência, surgiram as técnicas de DNA recombinante, por volta de 1973. Tais técnicas possibilitam transferir os genes de um tipo celular para outro. Assim, os biólogos moleculares, a cada dia que passa, estão mais adequadamente equipados, podendo estudar com maior eficiência a questão da regulação e expressão genética em eucariontes.

O genoma dos seres eucarióticos é muito complexo e isso torna extremamente difícil a análise detalhada das estruturas do gene e suas relações. Vários genes de eucariontes já foram isolados, clonados, seqüenciados e a relação de sua expressão está sendo estudada. Entre os mesmos estão os oncogenes, os genes de anticorpos, genes que codificam toxinas de animais peçonhentos, etc. É possível isolar fragmentos distintos de DNA e recombiná-los em um genoma menor como os plasmídio, cosmídios, cromossomas artificiais de leveduras (yacs) e bacteriófago, facilitando a análise do genoma a ser estudado.

LINHAS DE PESQUISA

Tem sido demonstrado que o veneno das aranhas contém polipeptídeos tóxicos que possuem interações únicas em tecidos excitáveis em diversas espécies. Contudo, a maioria deve ainda ser purificada e caracterizada para que então se possa entender sobre a heterogeneidade, estrutura e modo de ação dos componentes deste veneno. Estes aspectos têm grande importância, uma vez que constituem elementos centrais para o desenvolvimento de reagentes para o tratamento ou a prevenção dos efeitos das picadas das aranhas. Um dos grandes impedimentos para as pesquisas sobre o veneno de aranhas tem sido a dificuldade na obtenção de quantidades adequadas de material. A purificação de quantidades apropriadas dos menores constituintes deste material não é uma tarefa fácil. Pequenas quantidades das toxinas purificadas limita a aplicação destas com ferramentas para estudos farmacológicos e fisiológicos. A tentativa de clonagem e a caracterização dos genes codificadores para toxinas de animais peçonhentos é uma alternativa que busca solucionar este tipo de problema.

Estas tentativas permitem a geração de seqüências das quais a toxina madura pode ser deduzida e eventualmente expressada. Adicionalmente, algumas deduções podem ser inferidas entre as divergências evolucionárias observadas entre os peptídeos tóxicos das aranhas. No caso específico da aranha armadeira os genes codificadores para as toxinas das glândulas de veneno da mesma podem ser identificados e caracterizados. Até o momento, apenas um pequeno número de genes para toxinas de aranhas têm sido submetidos à estes processos. Um dos campos experimentais que vem sendo realizado é a identificação de diferentes tipos de canais iônicos, bem como os mecanismos moleculares que estes canais possuem para ativação, seletividade e modulação.

Tecnologias genéticas atuais e futuras podem contribuir para o melhoramento de nossa saúde, nosso ambiente, nossas fontes de alimento e muitos outros aspectos de nossas vidas. Novas técnicas na indústria farmacêutica, nos avanços terapêuticos, na produção de matéria-prima da indústria química, na agricultura e no manejo e conservação do meio ambiente vêm tomando atenção especial de órgãos governamentais, devido ao futuro promissor que essa nova ciência oferece. Apesar de algumas questões levantadas a respeito dos riscos envolvidos em tais experimentos, os cientistas acreditam que as normas de segurança atuais são adequadas e os riscos são pequenos em comparação aos benefícios, podemos concluir com isso, que a tecnologia do DNA recombinante está começando a alterar profundamente as ciências médicas e biológicas, fornecendo novos agentes terapêuticos na mesma proporção que desvenda os mecanismos moleculares da vida.